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Ajuda ao sector do leite não dá 300 euros por produtor Imprimir
leite.jpg2009.10.21 (00:00) Europa
Cada produtor de leite na União Europeia (UE) vai receber "menos de mil euros", em média, de ajuda suplementar ao abrigo de um novo envelope financeiro de 280 milhões de euros ontem anunciado pela Comissão Europeia para ajudar o sector a enfrentar a actual crise dos preços. Para Portugal, é um pouco mais de quatro milhões, o que dá, em média, menos de 300 euros por exploração.

Este valor representa a totalidade da margem financeira disponível para situações de emergência ao dispor do orçamento comunitário em 2010, frisou Mariann Fischer-Boel, comissária europeia responsável pela agricultura, à margem de uma reunião dos ministros do sector, no Luxemburgo. "Não há mais dinheiro", e se os governos pedirem novas ajudas financeiras para outros sectores em dificuldades, "direi que a prioridade de vinte e um países foi ajudar os produtores de leite". "Os Estados membros depenaram a minha última pena", ironizou.

Fischer-Boel, que tem resistido nas últimas semanas aos pedidos de vários países de um novo apoio financeiro para socorrer um sector que enfrenta quebra dos preços de 30 a 40 por cento face ao grande pico de 2007 devido, sobretudo, a uma baixa da procura mundial resultante da crise económica, explicou que mudou de posição porque, pela primeira vez desde o início da crise, os governos em causa puseram um valor na mesa.

A afirmação refere-se à reunião realizada há uma semana em Viena por 21 países - incluindo Portugal, França, Alemanha ou Espanha - e que resultou na exigência de uma ajuda suplementar de 300 milhões de euros. Segundo a comissária, "280 milhões foi o mais perto de 300 milhões que conseguimos arranjar". Até agora, Bruxelas evitou ir além de algumas medidas de emergência anunciadas no início de Setembro, e que incluem o reforço do mecanismo da intervenção (segundo o qual a UE garante um determinado nível de preços), um aumento da armazenagem de manteiga e leite em pó ou a autorização dada aos Estados de conceder ajudas públicas aos produtores até 15 mil euros.

A segunda razão, frisou Fischer-Boel, teve a ver com a tentativa de "acabar com os protestos" desenvolvidos pelos produtores de vários países no quadro de gigantescas e ruidosas manifestações, incluindo o bloqueio de estradas e cidades com centenas de tractores e o derrame de vários milhões de litros de leite nos campos. Ontem mesmo, entre 1500 e dois mil agricultores, segundo a polícia, ou entre 4 e 5 mil, de acordo com os organizadores, cercaram o edifício onde decorreu a reunião dos ministros atirando ovos e queimando palha e pneus e bloqueando por completo o bairro europeu do Luxemburgo.

"Uma gota de água"
Segundo Fischer-Boel, os 280 milhões terão de ser distribuídos entre os Vinte e Sete em função da produção de cada um e de forma "não discriminatória". Em Portugal, e tendo em conta a produção dos anos recentes, os produtores deverão receber menos de 4 milhões de euros a repartir por cerca de 13.00 explorações.

Para a comissária, a ajuda representa "menos de mil euros por produtor". Ou seja, "uma gota de água", de acordo com a expressão de um responsável europeu. Sobretudo quando comparada com os quase 5000 milhões de euros que os produtores de leite recebem anualmente da UE em ajudas directas à produção.

A Federação Europeia dos Produtores de Leite (EMB) considerou aliás a ajuda "insuficiente", convicta de que a crise não se resolve "com subsídios, mas com uma regulação flexível dos volumes" de produção.

Só que, como frisou Fischer-Boel, nenhum país defende um regresso ao passado e às quotas que limitam a produção de leite na UE e que deverão ser aumentadas progressivamente até à eliminação total em 2015.

Os Vinte e Sete apenas aceitam desenvolver uma reflexão de fundo sobre a forma de proteger o sector contra as flutuações excessivas dos preços no quadro de um grupo de reflexão que iniciou funções na semana passada e deverá apresentar as suas conclusões até Junho de 2010.

FONTE: Público

 
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Informação ANIL



Ano 10
N.º 7
Julho 2010

  • Alargamento dos horários de abertura: uma oportunidade perdida
    Mera declaração de princípios ou ponto de partida?
    Aplicação da Lei n.º 75/2009 (lei do Sal)
    Mercado lácteo na UE (quarterly report 06.2010)
    "Fico preocupado com o discurso da distribuição"
    Retail marketing monitoring report
    Estatísticas Agrícolas 2009
    Tr3s Dias com Queijo 2010
    Queijos nacionais no envento "Le Gout de la Vie"

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