1,6 milhões em prémios Imprimir
agric002.jpg2009.12.15 (00:00) Portugal
Uma auditoria à Cooperativa Agrícola dos Produtores de Leite de Vila Nova de Famalicão revela que foram pagos 1,659 milhões de euros às responsáveis pela contabilidade da Cooperativa, em gratificações, entre 2002 e 2007.

Os auditores propõem que a cooperativa seja ressarcida desse valor, já que se trata de montantes que aconteceram num quadro em que a própria Cooperativa ia aumentando o seu passivo.

“Certamente que a continuar pelo caminho percorrido (...) a Cooperativa em breve deixaria de ter condições para poder continuar a desempenhar as importantes funções que lhe estão acometidas”, pode ler-se no relatório em que os auditores revelam as gratificações recebidas pelas responsáveis da contabilidade.

As funcionárias em causa são Zélia Silva e Emília Correia, licenciadas em Economia, e os pagamentos exagerados existiam desde 2002. No primeiro caso, os auditores revelam que foram pagos quase 653 mil euros de gratificações ocasionais, acréscimos de remunerações e ajudas de custo. No segundo caso, os valores 958 mil euros.

“Parecia que não havia limites para a ambição de serem auferidas cada vez maiores remunerações. Tudo servia para justificar os aumentos do prémio anual, das formas de remunerações, novas formas de retribuição”, pode ainda ler-se no relatório, que realça não fazer sentido atribuir prémios em função do volume de vendas já que aqueles números podem ser manipulados.

“Caso os objectivos para a atribuição de prémios de desempenho fossem fixados em função dos resultados, como seria lógico e razoável, parece não haver dúvida quanto à falta de motivos para os mesmos serem pagos”, continuam os auditores.

O relatório mostra que o passivo da Cooperativa aumentou de forma exponencial nesse período: de 3,8 milhões em Dezembro de 2002 para 11,475 em Dezembro de 2007.

A Cooperativa Agrícola dos Produtores de Leite de Famalicão tem cerca de três mil cooperantes. Atravessa uma grave financeira e prepara-se para hipotecar património. Alguns cooperantes contestam-no, porque os estatutos da Cooperativa não permitem essa alienação.

Apresentada queixa por gestão danosa
Alguns produtores de leite apresentaram queixa contra os quadros da Cooperativa de Famalicão por gestão danosa. A mesma foi entregue no ano passado ao Ministério Público daquela cidade, mas, até agora, nenhum dos ex-responsáveis terá sido inquirido. A queixa era também contra as funcionárias cuja auditoria revelou terem recebido gratificações milionárias. O presidente da Assembleia Geral mantém-se nos últimos mandatos.

Esta semana realiza-se nova Assembleia Geral da Cooperativa, sendo esperado que se mantenha o ambiente de tensão já vivido noutras reuniões. Nessa altura será discutida a hipoteca da sede da Cooperativa e também a possibilidade de serem dados poderes ao presidente da assembleia geral, da direcção e do conselho fiscal para se fazer a oneração do edifício. Sabe-se, entretanto, que alguns cooperantes irão alegar a impossibilidade de ser feita qualquer hipoteca já que o artigo 27.º dos Estatutos, apenas prevê a venda ou o aluguer do património.

Preços pararam de descer
De acordo com o secretário-geral da Associação Nacional das Indústrias de Lacticínios (ANIL), “os preços à produção pararam de descer em Junho”. Segundo Pedro Pimentel, existem “alguns sinais de recuperação” que dão alento aos produtores. Outro factor importante “é [alguma] mudança de atitude da distribuição”, que está mais atenta à produção nacional, acrescenta aquele responsável.

Entretanto, o fim [a diminuição] dos excedentes de leite em vários países europeus beneficiou [tende a beneficiar] a produção nacional. As grandes cadeias de distribuição viraram-se [tenderão a virar-se] de novo para o leite nacional. O grande problema, segundo os responsáveis da ANIL, continua a ser a destruição do valor para a produção: “Estamos a vender o leite a 39 cêntimos o litro. Se as pessoas tiverem que pagar 60 cêntimos por [pelo mesmo] litro de leite, vão pensar que lhes estão a ir ao bolso”, diz Pedro Pimentel.

Por outro lado, os representantes da fileira do leite reuniram-se com o novo ministro da Agricultura no final do mês de Novembro. Neste encontro, António Serrano terá manifestado a posição do Governo português no sentido de garantir junto de Bruxelas que se mantenha algum sistema de regulação no sector leiteiro. A Comissão Europeia quer acabar em 2013 [em 2015] com o sistema de quotas para os vários países, o que traria para Portugal consequências muito negativas.

FONTE: Correio da Manhã

 
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Informação ANIL



Ano 10
N.º 2
Fev 2010

  • Uma questão de semântica
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    Rótulo Ecológico da União Europeia
    Estudo AdC relata Práticas Lesivas
    António Serrano em entrevista
    PAC pós-2013 na opinião de Arlindo Cunha
    ...e de Sevinate Pinto
    Análise ao segmento do leite líquido
    Noticiário nacional e internacional
    Espaço Saúde
    Cavaco mostra bons exemplos do Interior
    ANIL promove “Análise Sensorial de Queijo”
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