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"Puleva é primeiro passo para reorganizar sector" Imprimir
puleva.jpg2010.03.04 (00:00) Espanha
Aurelio Antuña lidera as actividades da Lactalis Iberia, a subsidiária espanhola do grupo francês Lactalis –a antiga Besnier - um dos gigantes mundiais do sector lácteo, que no mês passado completou a aquisição do grupo Forlasa, o maior fabricante de queijo manchego com marcas bem conhecidas do público como "'El Ventero', 'Don Bernardo' ou 'Gran Capitán'.

Antuña antevê significativas alterações no mapa leiteiro espanhol nos próximos anos e considera que a venda da Puleva Food é a primeira grande operação para reorganizar o sector.

El Comércio Digital (CD): A Lactalis apresentou alguma oferta para comprar a Puleva Food?
Aurélio Antuña (AA):
Sempre que surge uma qualquer operação deste tipo o nome da nossa empresa aparece sempre. No caso da Puleva, se existem os dossiers de venda, desconheço-o, porque este tipo de operações é gerido directamente pela casa-mãe, em França.

CD: Não pode, pois, confirmar ou desmentir as informações que colocam a Lactalis como favorita para a compra da Puleva?
AA:
Não posso porque não sei. Não posso confirmar nem desmentir. Se à Lactalis poderia interessar a Puleva? Poderia, mas essa não é uma decisão que seja tomada a partir de Espanha e já ocorreu antes que nós participamos numa operação, quando a mesma já está em estado muito avançado. Não admira que o nosso nome venha à baila porque a nós, nos últimos três ou quatro anos, já nos foi vendida esta empresa várias vezes, e o mesmo aconteceu com outras como por exemplo a García Baquero. De qualquer forma não se pode negar que a nossa empresa tem estado muito activa e adquiriu diversas empresas e unidades industriais em Espanha nos últimos anos.

CD: Como julga que a venda da Puleva Food irá mudar o mapa actual do sector lácteo?
AA:
É uma operação lógica e razoável num sector tão fragmentado como é o espanhol, especialmente no segmento do leite líquido, onde apenas ocorreram concentrações tal como ocorreu no negócio do queijo.

CD: O desaparecimento das quotas leiteiras em 2015 vai acelerar as fusões e concentrações?
AA:
Eu não estou tão certo de que a abolição do sistema de quotas vá acelerar fusões, como observou há dias Nicolas Lopez, presidente da Bongrain para o Sul da Europa. É, contudo, verdade que a competitividade é muito limitado num sector tão fragmentado como o do leite líquido, com três grandes operadores nacionais e numerosas pequenas indústrias regionais.

CD: Augura novas concentrações em Espanha?
AA:
Sem dúvida. Vender a Puleva é a primeira grande operação de reorganização do sector lácteo e creio que o processo de concentração que a indústria europeia tem experimentado nos últimos anos, chegará também a Espanha. A compra da Forlasa pela nossa empresa também tem foi um marco importante para o sector, mas de muito menor dimensão que a da Puleva Food.

CD: Qual o papel crê que irá ser desempenhado pela CAPSA neste reordenamento do sector?
AA:
É CAPSA é, claramente, um actor chave no segmento de leite líquido e, portanto, terá um papel relevante em operações como a da venda da Puleva.

CD: Crê que a Puleva vale os 500 milhões de euros que têm sido falados?
AA:
Pagar um valor tão alto por uma empresa com uma quota de mercado como tem a Puleva faz sentido se a empresa for saudável e se existirem garantias de que gerará retornos suficientes sem que o comprador tem um exagerado custo financeiro. Há que conhecer a saúde financeira da Puleva e considerar as sinergias que poderá estabelecer com o comprador, para ver se a operação é interessante ou não. Não se deve esquecer que uma coisa é o valor e outra é o preço, e não há dúvida de que hoje ninguém paga os preços que foram pagos por certas empresas há alguns anos atrás, porque o financiamento não é tão fácil e agora nenhum grupo se endivida tão facilmente.

CD: O que supôs para a Lactalis a aquisição da Forlasa?
AA:
Um complemento importante. Nós temos uma posição de mercado importante nos queijos de importação e desde inícios de 2009, quando compramos a Mama Luise à Kraft, temos também interesse em crescer nos queijos nacionais. Nos manchegos com DO ou nos queijos tipo manchego – nem tudo o que se vende como manchego o é efectivamente – já tínhamos a marca ‘Flor de Esgueva’ e coma Forlasa convertemo-nos em líderes mundiais com marcas como ‘El Ventero’ e ‘Gran Capitan’, com forte presença nos canais habituais de venda. Mas o sector do queijo está ainda mais atomizado que o do leite líquido, porque, sem contar com as marcas brancas, a empresa líder apenas controla uma quota de mercado de 7 por cento.

CD: Quais são as principais cifras da Lactalis Espanha?
AA:
A Lactalis opera em Espanha através de duas empresas: a Lactalis Iberia, filial controlada a 100 por cento pela Lactalis e a Lactalis Nestlé Produtos Frescos, uma joint venture com a Nestlé, onde o nosso grupo detém 60 por cento. São duas empresas diferentes e geridas de forma independente, mas que em conjunto têm vendas líquidas de 600 milhões de euros, empregam 1.350 pessoas e contam com sete fábricas. Além disso, recolhemos o leite de 14.000 explorações espanholas.

Fonte: El Comercio Digital

 
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Informação ANIL



Ano 10
N.º 7
Julho 2010

  • Alargamento dos horários de abertura: uma oportunidade perdida
    Mera declaração de princípios ou ponto de partida?
    Aplicação da Lei n.º 75/2009 (lei do Sal)
    Mercado lácteo na UE (quarterly report 06.2010)
    "Fico preocupado com o discurso da distribuição"
    Retail marketing monitoring report
    Estatísticas Agrícolas 2009
    Tr3s Dias com Queijo 2010
    Queijos nacionais no envento "Le Gout de la Vie"

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