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Frulact constrói centro de inovação e tecnologia na Maia Imprimir
frulact.jpg2010.07.13 (00:00) Associados
A Frulact, que opera nos preparados de fruta para a indústria alimentar e detém seis fábricas entre Portugal, França, Marrocos e Argélia, apresentou esta semana, na Covilhã, na presença do ministro da Agricultura, António Serrano, e do secretário de Estado da Indústria e Desenvolvimento, Fernando Medina, um Centro de Inovação & Tecnologia Agro-alimentar, a construir na Maia, em parceria com o Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC).

João Miranda, presidente da empresa, diz tratar-se de um investimento de dois milhões de euros, comparticipado em 765 mil euros pelo PRODER. Permitirá à empresa «concentrar numa só plataforma» o suporte técnico às exigências dos mercados mais exigentes, como a França ou a Alemanha, mas, sobretudo, os do Benelux e o de Itália, onde entrará em «novos clientes e segmentos de mercado» até ao fim do ano.

Trata-se de uma iniciativa tida como «pioneira» em Portugal, por aliar recursos financeiros e sinergias provindas de uma empresa do sector privado e de uma instituição do sistema científico, assumindo a primeira Ÿ da factura e a segunda o restante do seu custo. A infra-estrutura física deve ficar pronta até ao fim do ano e passará a funcionar com um orçamento anual de 500 mil euros, 6% dos quais suportados pelo IPVC.

Apesar de surgir agora, e também «no momento certo» para poder usufruir dos apoios certos do PRODER, o Frutech é «um projecto antigo na Frulact, que a estrutura vem reclamando» e que «não podia esperar mais», dado o «evoluir da nossa situação, da exigência dos mercados, do serviço aos clientes e até da economia global», diz João Miranda.

Ficará localizado na Maia, contíguo à sede da empresa e à sua recém-adaptada unidade para produtos de consumo, com o objectivo de «envolver e ancorar a fruticultura nacional, para que definitivamente este subsector da fileira agro-alimentar comece a desenvolver outros projectos suportados pela indústria». Mas, também, porque a sua localização «a cinco minutos» do aeroporto Francisco Sá Carneiro é «factor de enorme atractividade e conforto» para qualquer cliente ou investigador espanhol, francês, alemão ou de outra origem geográfica que ali queira deslocar-se.

O Frutech comportará uma unidade piloto com 'upgrade' tecnológico, um laboratório de caracterização físico-química de frutas e produtos alimentares à base de frutas, um laboratório de microbiologia alimentar, uma sala de provas e análise sensorial e uma biblioteca técnico-científica. Tudo com o fim de «promover a investigação aplicada», visando a «inovação de produtos, processos, a protecção ambiental e a segurança alimentar», revela João Miranda.

Para essa missão, o grupo da Maia conta com o IPVC, um «parceiro de longa data» que se vem «afirmando no agro-alimentar, focalizando a estratégia numa aposta clara na investigação e desenvolvimento de competências do conhecimento» nesse sector e na agricultura, acrescentou o empresário.

Questionado sobre como surgiu esta parceria com a Frulact, Rui Teixeira, presidente do IPVC, realça que ele próprio se formou e fez carreira científica em Alimentação/Nutrição, o que lhe permite ter «um olhar atento sobre o sector». A partir daí, diz, «foi fácil ver a Frulact, que emerge por aquilo que, infelizmente, ainda não é comum entre nós: suportada no conhecimento» e «ancorada no espaço óbvio - o ensino superior», a partir dos quais «inova e faz sucesso».

E daí até ao firmar desta mútua ligação foi «um passo natural», diz Rui Teixeira, quer no âmbito do também recém-criado Pólo de Competitividade «Portugal Foods», com o objectivo de «reforçar a competitividade das empresas do agro-alimentar», quer, agora, com a criação deste Centro I&T. Uma experiência que o presidente do IPVC admite, aliás, fazer replicar com outras empresas, pois assume a «atitude» do Instituto de viver em «espírito de permanente ‘sementeira’ em múltiplas áreas», das energias à engenharia, ao design, às ciências empresariais, à gestão ou à saúde.

Frulact «a caminho dos 70 milhões de euros»
Depois de investir 12,5 milhões de euros na Covilhã em 2006 - «uma das melhores fábricas do sector na Europa», como assinala João Miranda -, depois de quatro milhões de investimento em Marrocos, em 2007, cuja unidade foi inaugurada em 2008, a que se somaram 3,5 milhões na fábrica da Argélia também em 2008 e, já depois disso, a aquisição, cujo valor se desconhece, à multinacional irlandesa Kerry, de uma fábrica em Apt, no Sul de França, concluída em Julho de 2009, a Frulact mantém em conjugação o verbo investir. Faz, aliás, questão de dizer que «continuará atenta e preparada para qualquer operação que entenda que se enquadra com a sua estratégia de crescimento».

E a apesar de o seu presidente ter afirmado, em entrevista em Outubro último, que até 2011 a palavra-chave é «consolidar» os «investimentos fortes» dos últimos anos, este Centro de Inovação & Tecnologia revela o contrário, muito embora para João Miranda ele apenas queira significar o «acreditar da Frulact nos seus investimentos e orientação estratégica», devendo ser só entendido como «suporte» à sua consolidação.

Ao nível industrial, a aposta da empresa está hoje centrada na recém-adquirida unidade de Apt, na Provença francesa, que já transforma 10 mil toneladas de frutas, mas que, fruto do investimento de 2,5 milhões no último ano em novos «equipamentos, readaptações e benfeitorias», duplicará a capacidade dentro de dois anos, diz o presidente da empresa. E mesmo ainda não tendo atingido essa meta, a unidade, que emprega 62 pessoas, já é responsável por 33 por cento das vendas consolidadas do grupo, que superou os 40 milhões alcançados em 2009 e a previsão dos 60 milhões para 2010 anunciada em Outubro para atingir um valor anualizado «a caminho dos 70 milhões» no final do último semestre.

Apesar de se ter revelado «um processo difícil, mas bem sucedido e que consolidou a confiança em nós mesmos», confessa o presidente da empresa, ao ponto de «permitir pensar que será possível continuarmos a crescer também por esta via», a modernização da fábrica de Apt permite agora à Frulact «reforçar a posição» no competitivo mercado francês, mas, sobretudo, «ganhar posições de relevo no Benelux e em Itália». Um país onde «ainda no segundo semestre iremos concretizar e reforçar» posição, por via da entrada em «novos clientes» e em novos «segmentos de mercado», revelou João Miranda.

FONTE: Vida Económica

 
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Informação ANIL



Ano 10
N.º 8
Agosto 2010

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