«Pagamos as novas lojas abertas pela distribuição» Imprimir
2009.03.31   00:00      Distribuição
Os produtos das cadeias de distribuição estão a roubar terreno às marcas na preferência dos portugueses, que vêm aqui uma oportunidade para poupar. Mas a Associação Portuguesa de Empresas de Produtos de Marca (CentroMarca) acusa os hipermercados de concorrência desleal e diz que são as marcas que pagam as novas lojas abertas.

A CentroMarca considera que esta nova preferência pelos produtos da distribuição é «artificial» e reflecte as condições de «concorrência desleal» que existem no sector. A Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) tem uma opinião contrária.

O presidente da CentroMarca, Duarte Raposo Magalhães admite que «as marcas próprias da distribuição cresceram muito nos últimos tempos», sendo que só no último semestre de 2008 aumentaram 30 por cento, mas lembra que «os portugueses sempre preferiram, historicamente, produtos de marca. Esta inversão repentina de tendência é um pouco artificial. Admito que estes produtos possam ser uma opção válida para os consumidores que, neste tempo de crise, procuram preços mais baixos, mas isto não é espontâneo, trata-se de um crescimento que é influenciado por uma atitude pensada por parte da distribuição».

A atitude em causa constitui uma das principais queixas que a CentroMarca tem contra as cadeias de distribuição, que acusa de estarem «a retirar as marcas dos lineares (prateleiras) ou a colocá-las em lugares pouco visíveis. A distribuição aluga espaços (nas suas prateleiras) e os seus produtos próprios concorrem com os de marca. Parece-nos que há aqui um problema de concorrência. Estamos a ser extremamente maltratados, pressionados, comprimidos a nível de localização», desabafa.

A associação das marcas diz que existe um «desequilíbrio muito grande, em termos de poder negocial entre as marcas e a distribuição», mas a APED sublinha que «isso só acontece com os pequenos produtores, que têm pouca expressão no mercado. Cabe a esses produtores organizarem-se para terem mais poder de negociação».

«Por exemplo, uma marca como a Coca-Cola ou até mesmo uma marca nacional que acaba por ser líder de mercado, como a Super Bock ou a Sagres, têm muito poder de negociação», explicou o secretário-geral da associação, José António Rousseau. Quanto às comissões cobradas às marcas para colocar os produtos nos lineares, o mesmo responsável garante que apenas são cobrados «aos produtos novos», embora não refira valores.

Sector debate necessidade de novo regulador
A CentroMarca diz que as empresas não conseguem concorrer em termos de preços com a distribuição, alegando que «a formação de preços dos dois produtos é completamente diferente. Nós temos o custo da inovação (que implica investigação), custo de fabricação, custo de transporte e stockagem, temos de pagar à distribuição para referenciar o produto e colocá-lo no linear, temos custo de reposição, custo de colocar os produtos no catálogo, e não se sabe se os produtos da distribuição pagam o mesmo».

De acordo com Duarte Raposo Magalhães, «são valores extremamente elevados. Para se ter uma ideia, as novas lojas abertas pela distribuição são pagas por nós». O que a associação exige é «uma regulação independente, que imponha obrigações iguais para todos». Para isso, as queixas foram já levadas à Autoridade da Concorrência (AdC), que anunciou recentemente que irá investigar o sector. De resto, também o Parlamento vai «olhar para a situação».

Mais uma vez, a APED discorda e não vê necessidade de se criar uma nova entidade reguladora, e lembra que «não é a indústria nem a distribuição que determinam os preços, é o mercado, ou seja, são os consumidores».

Escolher marcas próprias: quanto poupa?
Definimos um cabaz com 28 produtos básicos e outro com 38, fomos a um hipermercado e comparamos. Pode gastar menos 40 por cento
Um estudo da Deco confirmou a qualidade dos produtos de marca própria, a confiança dos consumidores já foi conquistada e as empresas de distribuição apostaram fortemente na criação de novas referências durante o ano de 2008. E em 2009, por causa da crise, a tendência é para continuar.

A Agência Financeira foi para um hipermercado de referência em Portugal e comparou preços de produtos básicos. Resultado: a opção pelas marcas próprias representa uma poupança superior a 40 por cento. Num cabaz com produtos de limpeza, higiene pessoal, lacticínios, bolachas e cereais, enlatados, farináceos, bebidas e outros (azeite, óleo e sal), num total de 28 produtos básicos, a diferença que se obtém da comparação entre a marca própria e a marca de referência ou líder de mercado é substancial: 32,95€.

Alargando esta lista de compras, através da inclusão de três referências de legumes congelados, cinco referências de comida congelada (carne, peixe, e pizza), mais lenços de papel e umas bolachas de chocolate, a diferença de preços é ainda mais evidente. Se no primeiro caso pouparia 40,38 por cento ao optar pelas marcas próprias, no segundo gastaria menos 41,7 por cento (48,84€).  As diferenças mais flagrantes verificam-se em alguns produtos de limpeza e higiene pessoal, mas também nos cereais e no sal.

Fazer da crise uma oportunidade
Em 2008, segundo a TNS Worldpanel, os artigos das marcas próprias representaram 32 por cento das vendas totais e venderam mais 21 por cento do que em 2007. Só a Sonae Distribuição (Modelo e Continente) lançou, em 2008, mais de mil novas referências de marca própria e o volume de vendas destas marcas subiu dois por cento.

José António Rousseau, director-geral da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição, confirma esta preferência pelas marcas próprias: «Os consumidores reconhecem que se trata de uma proposta de valor equilibrada e interessante em termos de qualidade e preço».

FONTE:
Agência Financeira
 
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Informação ANIL



Ano 10
N.º 7
Julho 2010

  • Alargamento dos horários de abertura: uma oportunidade perdida
    Mera declaração de princípios ou ponto de partida?
    Aplicação da Lei n.º 75/2009 (lei do Sal)
    Mercado lácteo na UE (quarterly report 06.2010)
    "Fico preocupado com o discurso da distribuição"
    Retail marketing monitoring report
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> DECO: Queijo para barrar - higiene irrepreensível e análise sensorial superada

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