![]() Iogurte é um líquido espesso, branco e levemente ácido, muito nutritivo e, por essa razão, muitas vezes é servido e mesmo vendido misturado com frutas, chocolate ou outro tipo de adoçante. |
















| Guerra do leite sem fim à vista |
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2009.07.13 (00:00) Portugal “Senhor ministro, porque é que Portugal é o único país da Europa onde o leite custa 39 cêntimos?”, perguntou um produtor ao ministro da Agricultura na fábrica da Renoldy, em Alpiarça. Adalberto Póvoa não queria apenas uma resposta a explicar as regras de funcionamento do mercado. Queria, antes de mais, mostrar que os produtores “não conseguem compreender como é possível uma simples garrafa de água custar mais do que um pacote de leite”. Na sua exploração, na zona centro, soma 150 vacas e uma produção diária de quatro mil litros. Sabe que em 13 meses o seu leite já desvalorizou 30% (13 cêntimos por litro), para os €0,31, e sabe que, apesar de Portugal ter um dos preços mais caros da Europa, “precisava de ganhar mais quatro cêntimos em cada litro para o negócio ser rentável”. No Entre-Douro-e-Minho, Carlos Neves faz as mesmas contas. Diz ser cada vez mais difícil evitar os prejuízos na exploração com 60 vacas, onde produz 1800 litros de leite por dia, sem tempo para folgas ou férias. Só no último ano, já fecharam três mil explorações leiteiras, de acordo com os números da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP). “O drama é que o preço do leite desceu brutalmente, mas os factores de produção não acompanharam esse movimento e com as importações é ainda mais difícil escoar a produção”, refere o presidente da CAP, João Machado. A crise tinha sido antecipada pelo sector. Quando a União Europeia decidiu iniciar o processo de desmantelamento das quotas leiteiras, foi fácil prever os excedentes e o seu impacto no mercado. Mas foi agravada pela queda no consumo ditada pela conjuntura de crise. Aliás, na Europa sucedem-se as manifestações dos produtores, com cortes de estradas e bloqueios de centros de distribuição, contra a quebra do preço do leite na produção. E na Galiza, o secretário-geral dos Jovens Agricultores admitiu que os produtores estão a perder €800 mil/dia. Em Portugal, no entanto, o foco do conflito da última campanha leiteira tem estado centrado na decisão das cadeias de distribuição comprarem leite no exterior, designadamente na Polónia e Alemanha, para o venderem a €0,39, deixando as fábricas inundadas, com dificuldade em escoar o leite nacional. Fernando Cardoso, da Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite (FENALAC), avalia em 150 milhões de litros os excedentes num país auto-suficiente, mas onde um em cada cinco litros já é importado. Aliás, a FENALAC e a marca Agros estão a investir em marketing para incentivar a portugalidade no consumo do leite. “O preço de €0,39 é anormal. É o mais baixo da UE a 15”, refere Pedro Pimentel, secretário-geral da Associação Nacional dos Industriais de Lacticínios (ANIL), sublinhando que em Espanha o leite mais barato custa €0,49. Nas suas contas, à produção acresce um custo mínimo industrial de €0,20, onde a embalagem pesa 9 cêntimos. Vicente Dias, presidente da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), diz que a indústria “terá de rever margens e racionalizar custos” e que “a distribuição não tem lucros directos na venda de leite”. Quanto à política da APED, explica: “Privilegiamos o produto nacional até ao limite do razoável, depois vemos as alternativas mais interessantes”. Terá sido o que aconteceu no caso da Renoldy, a fábrica de Alpiarça que anunciou ter de encerrar no dia 15 por falta de encomendas. Aqui, apesar de a Sonae garantir ter na unidade 10 referências de lacticínios, a administração diz que o seu principal cliente “reduziu drasticamente as compras”. Primeira vítima industrial da guerra do leite, a Renoldy atraiu a atenção do ministro da Agricultura, que tenta mediar o conflito e garantir encomendas para a empresa, ao mesmo tempo que a Autoridade da Segurança Alimentar e Económica e a Autoridade da Concorrência investigam a distribuição e eventuais irregularidades no leite importado. Conscientes de que a Renoldy será a unidade “mais bem equipada do sector em Portugal”, APED e CAP estão, também, empenhadas em encontrar uma solução. “Caso encerre, há alternativas para os produtores continuarem a entregar o leite, mas o preço terá de ser negociado”, afirma Vicente Dias. Entretanto, foi precisamente a alemã Lidl a colocar no mercado o primeiro leite português a €0,39. De acordo com fontes do sector e informação da própria ANIL, algum desse leite [de marcas da distribuição] é [fabricado pela própria] da Lactogal. Mas a empresa diz apenas “desconhecer que haja leite português e da Lactogal a 39 cêntimos”. Quanto às margens de comercialização praticadas, a administração limita-se a comentar: “Quem fixa os preços de venda ao público são os donos das lojas”. O Sector em Números Três perguntas à APED e à ANIL Expresso: A posição de domínio da Lactogal teve impacto na crise? Expresso: Porque é que a Renoldy é a primeira vítima? FONTE: Expresso |
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Foram recentemente publicadas pelo Instituto Nacional de Estatística, as Estatísticas Agrícolas 2009 que contém um amplo conjunto de informação sobre a agricultura e o sector agro-alimentar - com a fileira do leite em grande destaque - em Portugal, com uma análise aprofundada e uma profusão de quadros informativos.
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